Quando não havia celular HiFi, e antes mesmo de Teletrim e do Mobi que se usava na cintura, a gente se contentava com telefone residencial e quem não tinha, comprava ficha telefônica, aquela antes do cartão, e ligava do orelhão. A gente até fazia amizade na fila do orelhão, e quando tinha alguém que ficava namorando, ou falando pelos cotovelos, todo mundo gritava: - Ôôhhhhhh..... E também tinha sempre aquela vizinha que dava o recado, o ruim é q ela ficava sabendo muito da nossa vida, mas que jeito? Internet? Nem pensar! Ainda passava bem longe. Eu morava em uma casa com quintal, tinha piscina Tone e no findi ficava lá tomando sol, com rádio ligado, aquele pequeninho, sabe? Minha prima e minhas amigas iam lá pra casa, e a gente colocava mesa no quintal, e almoçava por lá mesmo. Eu lia um livro atrás do outro, era xarope da biblioteca que tinha na minha rua. Levava meu filho pra passear na praça, onde tinha uns brinquedos, o pipoqueiro e os colegas da escola do meu filho. Se eu não estivesse lá, acharia agora que estou lendo um livro bem antigo. Tudo passou depressa! Não consigo escrever quase nada com a caneta, a não ser meus compromissos na agenda e olhe lá! Internet lenta? Nada disso, no mínimo 5 Megas. Todo mundo antes de ir ao psicólogo, desabafa com o Facebook, que já passou à frente do Orkut, que já ficou pra trás. Quase ninguém tem apenas um número de celular. Quando saio de casa e esqueço o celular, parece que esqueci um pedaço de mim. As pessoas estão tendo síndrome do pânico por estresse. O tempo passa muito rápido, não temos tempo para os nossos afetos mais valiosos, falamos por aqui mesmo, e é tanta gente. Já se fala em uma pane transmitida por um tipo de radiação solar, onde há possibilidades de pane em sistemas de todo o mundo. E se acontecer mesmo? Voltamos ao passado? Parece que é o caminho é o da evolução? Ou será o caminho da alienação? É muito bom querer coisas, mas eu gostaria de não querer tanto.
Andréa Dhetty
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